terça-feira, 1 de julho de 2008

ILUSTRAÇÃO E ORNAMENTAÇÃO DE LIVROS


Desde a mais remota antiguidade, o livro foi ilustrado. Encontram-se nos papiros desenhos coloridos; da mesma forma, os velhos pergaminhos gregos e latinos apresentavam freqüentemente ornamentos e desenhos, seja no início dos capítulos, seja no próprio texto.

Foram os baralhos que inspiraram a idéia de introduzir no livro as imagens ilustrativas, por onde se vê que não há mal que não tenha algo de bom. Nascendo com as cartas de jogar, a xilogravura tem origens longíquas, na noite dos tempos. Desse modo, é impossível estabelecer a data precisa em que esse processo de ilustração começou a ser utilizado; entretanto, pode-se dizer que o seu estudo só se torna interessante a partir do século XV.

A seguir veremos uma idéia sucinta e geral das diversas técnicas e do seu emprego.


GRAVURA

É definida como gravura todo e qualquer desenho reproduzido pela impressão sobre uma superfície capaz de recebê-la. Verifica-se, portanto, que a própria impressão de letras não passa, no fundo, de um processo de gravura, de onde se conclui que a idéia da impressão traz forçosamente consigo a da ilustração do texto, ou que é possível a impressão. Considerando que a palavra gravura tem várias designações, ela preferencialmente designa as diversas técnicas empregadas na ilustração.

FONTE DO TEXTO:

MARTINS. W. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca. 2.ed.il. rev. e atual. São Paulo: Ática, 1996.

FONTES DAS IMAGENS:

papiro:
http://www.revele.com.ve/imagenes/papiro.jpg
baralho:
http://www.brasilescola.com/curiosidades/baralho.htm
http://www.revistaneuronio.com.br/revista/visualizar.asp?id=83&classe=emprego

sábado, 17 de maio de 2008

MAIÚSCULAS, MINÚSCULAS E VERSALETES


Em cada família estilística de caracteres, ou tipos, existem três variedades de letras:


As maiúsculas, que, no mesmo corpo, têm todas a mesma altura.
Exemplo:
A B C D E F G H I J L M N O P Q R S T U V X Z


As minúsculas que, em contraste com as anteriores, dividem-se em:

a) letras curtas (como o a, e,i,r);

b) letras longas (como o h,l,b,d);

c) letras descendentes, que se estendem abaixo da linha (como o j,p,q,g).

Os versaletes, que são maiúsculas curtas, isto é, todas iguais às maiúsculas de determinado corpo, mas da altura das minúsculas desse corpo. Noutras palavras, letra cuja forma é a da maiúscula, mas o tamanho da minúscula.

Os caracteres tipográficos podem ser classificados, segundo a aplicação a que se destinam, em quatro categorias:

=> Caracteres de imprensa, que são empregados na composição do texto, propriamente dito, dos livros e periódicos;

=> Titulares, letras ou caracteres que servem para os títulos, cabeços, inscrições, etc.;

=> Caracteres manuscritos, que imitam qualquer caligrafia.

=> Caracteres de fantasia, que apresentam, como adornos, filetes, símbolos e figuras.


FONTES DO TEXTO:
LITTON

http://pt.wiktionary.org/wiki/versalete

FONTE DA IMAGEM:
FAMÍLIAS DE ESTILOS DE TIPOS


Era inevitável que, no decorrer dos cinco séculos da tipografia, se produzissem consideráveis mudanças nos caracteres de imprensa, devido a:

a) influência da época;

b) pressão da moda;

c) imaginação, capricho e preferências dos próprios impressores.

As diferentes famílias estilísticas de tipos podem ser classificadas em dois grandes grupos:


GÓTICO - a impressora de Gutenberg iniciou seu trabalho com um tipo de letra copiada da caligrafia que era utilizada na Alemanha, nessa época, para transcrição manual dos códices. A Bíblia de 42 linhas foi impressa numa variante chamada gótico-textura. Apareceram depois, diferentes variedades, cada uma com um nome que a associa, geralmente, a determinada publicação famosa. Atualmente, considera-se o tipo gótico como de difícil leitura, embora de inegável valor decorativo.

ROMANO - esta designação abarca todos os derivados dos tipos desenhados durante o século XV, pelos impressores de Roma e Veneza, os quais se inspiraram na caligrafia humanística. Caracterizam-se por sua beleza e legibilidade e são conhecidas inúmeras variedades do tipo romano, desenhadas e aperfeiçoadas por diversos artistas de renome. Os tipógrafos chamam o tipo romano de redondo, para distingui-lo do cursivo ou bastardinho.

FONTE DO TEXTO:
LITTON

FONTES DAS IMAGENS:
http://www.omine.net/img/gotica-main.gif
IMPRESSORES NOTÁVEIS - X

MORRIS


William Morris (1834/1896) impressor inglês, tentou dar novo impulso à tipografia, com uma pequena prensa chamada Kelmscott, seguindo as tradições dos artesãos antigos. Além de imprimir uma pequena coleção de obras-primas da literatura mundial, Morris desenhou e gravou vários tipos de letra para essas obras.


Adão e Eva, do "The Works of Chaucer", publicado pela Kelmscott Press, 1896









Venus e Adonis, dos "The Poems of William Shakespeare" Publicados pelos Kelmscott Press, 1893












FONTE DO TEXTO:
LITTON

FONTES DAS IMAGENS:
http://www.allposters.com/gallery.asp?startat=/getposter.asp&APNum=1584422&CID=48512699BF2443719C750D9CF22F0CA7&PPID=1&search=26828&f=c&FindID=26828&P=1&PP=6&sortby=PD&cname=William+Morris&SearchID=
http://www.allposters.com/gallery.asp?startat=/getposter.asp&APNum=1586823&CID=48512699BF2443719C750D9CF22F0CA7&PPID=1&search=26828&f=c&FindID=26828&P=2&PP=6&sortby=PD&cname=William+Morris&SearchID=
IMPRESSORES NOTÁVEIS - IX

BODONI

Giambattista Bodoni (1740/1813), impressor italiano. Filho de um pintor, serviu como aprendiz na prensa da Igreja Católica em Roma. Em 1768 ele assumiu a direção da Imprensa Real do duque de Parma. Nos anos 1780 ele estava projetando seus próprios tipos; o tipo Bodoni apareceu em 1790 e ainda está em uso, nos dias de hoje.
Ele tornou-se conhecido internacionalmente e colecionadores buscam seus livros. Seus trabalhos mais importantes incluíram edições primorosas de Horácio (1791), Vírgilio (1793) e a Ilíada de Homer (1808).
Foi também um excelente gravador de caracteres tipográficos, que conseguiu aperfeiçoar e superar os desenhos conhecidos até então. Distinguiu-se por suas edições in-fólio, com magníficas folhas de rosto e amplas margens, que constituem modelos de reconhecida beleza gráfica. Em 1775, imprimiu uma suntuosa obra de arte em 25 idiomas, intitulada Epithalamia exoticis linguis reddita, com 105 ilustrações. Na impressão de Oratio Dominica (Padre Nosso), em 155 idiomas, in-fólio, Bodoni empregou 215 caracteres diferentes, realizando ele mesmo todo o trabalho de gravura e fundição. Esta obra apareceu em 1806. Escreveu um Manualle tipográfico, cujo segundo volume foi dedicado inteiramente aos tipos correspondentes aos alfabetos não latinos, o que reflete seu interesse permanente pela tipografia das línguas orientais.
FONTE DO TEXTO:
LITTON
FONTE DA IMAGEM:
IMPRESSORES NOTÁVEIS - VIII

DIDOT

O fundador desta ilustre família de impressores foi François Didot (1689/1757), nascido em Paris, que começou com uma prensa, em 1713. Uma das suas mais famosas obras é uma edição em 20 volumes (1747) de descrições de viagens de seu amigo, o abade Prévost.


Seu filho, François Ambroise Didot (1730/1804) melhorou a técnica de fundição de tipos e foi o primeiro a utilizar papel pergaminho para impressão (1780).
Um irmão deste e também filho de François, foi Pierre François Didot (1732/93) que é lembrado por uma edição in-fólio da Imitatio Christi, de Tomás de Kempis (1788).
Um neto do fundador, Pierre Didot (1761/1853) imprimiu versões muito ornamentadas de obras clássicas de Horácio e Virgílio e de seu contemporâneo Racine, conhecidas como "Edições do Louvre".
Firmin Didot (1764/1836), irmão do anterior, inventou um sistema de impressão, ao qual chamou "estereotipia", traduziu vários poetas gregos e latinos e escreveu diversas obras. Além disso, imprimiu edições minúsculas de muitas obras clássicas, para as quais gravou um tipo de tamanho muito reduzido.
FONTE DO TEXTO:
LITTON
FONTES DAS IMAGENS:

sábado, 10 de maio de 2008

IMPRESSORES NOTÁVEIS - VII

JOHN BASKERVILLE
(Worcestershire,1706-Birmingham,Warwickshire,1775)

Aos 50 anos de idade se dedicou a um novo passatempo, que o faria famoso: a tipografia. Sua intenção era produzir alguns livros que se tornassem, tanto possível, perfeitos. Aperfeiçou-se, primeiro, no desenho e fundição de tipos e, em seguida, dedicou-se à manufatura do papel e da tinta aperfeiçoando métodos, cujos princípios continuam vigentes até hoje. A esses preparativos dedicou sete anos, que precederam a impressão de seu primeiro livro, uma edição do poeta latino Virgílio, recebida calorosamente em todas as partes do mundo, o que lhe deu grande prestígio como impressor. Seu grande livro foi uma versão de O Paraíso Perdido, de Milton, em cujo prefácio Baskerville expressava seu desejo de produzir, apenas livros, de "mérito intrínseco", os quais "o público gostaria de ver elegantemente vestidos". Seu magnus opus foi uma Bíblia in-fólio, que imprimiu sob os auspícios da Universidade de Cambridge, obra qualificada como "um dos livros mais belos do mundo".
Baskerville imprimiu apenas 67 livros, quantidade relativamente pequena, mas já foi dito que ele se interessava unicamente pela qualidade. Embora seus livros fossem caros e só pudessem ser adquiridos pelos colecionadores de recursos, ele os vendia abaixo do custo, por um preço que não chegava a cobrir os gastos que sua impressão lhe exigia.

A maioria dos livros de Baskerville eram entregues em brochura, aos compradores, deixando ao dono a oportunidade de escolher o estilo de encadernação que mais lhe agradasse.
As obras desse impressor são notáveis pela simplicidade de sua tipografia, uma vez que não utilizou quase nenhuma ornamentação, conseguindo seus belos efeitos mediante a utilização racional dos espaços, a distribuição simétrica da matéria na página e a nitidez e a perfeição da própria impressão.

Os caracteres que utilizava, de excelente feitura artesanal e mecânica, constituíam, além disso, uma verdadeira inovação no desenho de tipos. Montou uma pequena oficina em sua casa, que se poderia praticamente, classificar como de um amador, e nela realizava todas as etapas do trabalho, dedicando a cada um dos seus aspectos o mesmo extraordinário cuidado. Sua habilidade e dedicação permitiram-lhe produzier, em sua pequena prensa manual, verdadeiros tesouros da tipografia, que são hoje apreciados, em todo o mundo, por aqueles que prezam os belos livros.

Fontes do texto:

LITTON

FONTE DA IMAGEM:

http://www.birmingham.gov.uk/Media?MEDIA_ID=197321